Notícias

Portáteis retrô com jogos piratas viram alvo: indústria pede aos EUA que os trate como “superfalsificação”

A ESA pediu ao governo dos EUA que inclua portáteis retrô vendidos com milhares de jogos piratas na lista de mercados notórios, e citou a Anbernic. Entenda o pedido, o que pode mudar e o que fica de fora.

Portáteis retrô com jogos piratas viram alvo: indústria pede aos EUA que os trate como “superfalsificação” Foto: TomasVial / Wikimedia Commons (CC0), recortada

Os portáteis retrô que chegam com milhares de jogos antigos já instalados entraram na mira da indústria. A ESA, associação que representa as grandes empresas de games nos Estados Unidos, pediu ao governo americano que trate esses aparelhos como o equivalente, nos videogames, à “superfalsificação”, o tipo de cópia pirata tão bem-acabada que parece produto oficial. O pedido cita nominalmente a Anbernic, uma das marcas mais conhecidas do segmento.

Que lista é essa

Todo ano, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) pede às empresas que indiquem os sites e mercados estrangeiros que mais facilitam a pirataria e a falsificação. O resultado é a lista de “mercados notórios”, publicada desde 2006. Ela não cria punição sozinha, mas serve de pressão sobre países, plataformas e intermediários.

Neste ano, a revisão tem um foco especial nas superfalsificações, e a ESA aproveitou pra encaixar os portáteis de emulação nessa categoria. A decisão final é do governo americano, e não tem prazo curto: a edição anterior saiu só em março.

O que a ESA diz sobre os portáteis

O argumento da associação gira em torno de três ideias:

  • Aparência de produto legítimo. Os aparelhos têm acabamento caprichado, tela colorida, embalagem de varejo, avaliações e anúncios em grandes lojas online. O apelo comercial, segundo a ESA, está escondido num cartão de memória com centenas, milhares ou até dezenas de milhares de jogos sem licença.
  • Uso de marcas alheias. Parte dos anúncios e embalagens usa nomes, imagens e personagens de jogos protegidos sem autorização.
  • Pirataria sem esforço. Como o jogador recebe tudo pronto, desaparece a barreira técnica que antes separava o consumidor comum da pirataria, e um único aparelho substitui compras de várias empresas e gerações de consoles.

Pra combater isso, a ESA propõe sete medidas, quase todas voltadas a quem vende: tratar a biblioteca pré-instalada como prova de pirataria em escala, inspecionar cartões vendidos junto ou à parte, exigir que vendedores provem ter autorização, suspender lojas reincidentes, guardar registros de pagamento e envio, reforçar a fiscalização na alfândega e agir em conjunto contra fabricantes, exportadores e marketplaces que facilitem o esquema.

Por que a Anbernic

A ESA indicou a loja oficial da Anbernic, alegando que os aparelhos da marca costumam ser oferecidos ou enviados com cartões cheios de jogos não autorizados, inclusive em vendas pela Amazon e pelo eBay. Na visão da associação, a empresa se encaixa na definição de superfalsificação e ainda joga sobre as publishers o custo de monitorar e denunciar os anúncios.

Há contestação. O GamesRadar+ lembra que a própria Anbernic não vende os aparelhos com jogos instalados diretamente, e que o problema costuma estar nos revendedores que montam os pacotes. O site também alerta que a descrição da ESA é ampla o bastante pra atingir outras marcas sérias do setor, como Retroid, Ayaneo e Ayn, e que um portátil de emulação, por si só, não tem nada de ilegítimo.

Se o governo americano aceitar a indicação, a Anbernic pode ter dificuldade de vender nos EUA. Segundo o site RetroHandhelds, porém, uma eventual medida tende a mirar os cartões com jogos, e não o hardware em si.

Não são só os portáteis

O documento da ESA vai além. Ele indica o voices38, um cracker anônimo especializado em quebrar a proteção Denuvo, a quem são atribuídos cerca de duas dezenas de jogos crackeados; a própria Denuvo processou o grupo num tribunal da Califórnia no mês passado. Também aparecem sites de repacks como FitGirl e DODI, o fórum russo RuTracker, lojas de contas e itens como G2A, FunPay e Eldorado.gg, e vendedores de trapaças, incluindo o adaptador Cronus Zen.

Os números da ESA merecem cuidado. A associação diz ter visto mais de 15 milhões de usuários baixando jogos do FitGirl entre março e agosto e calcula um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão, mas a conta multiplica cada usuário pelo preço cheio de US$ 69,99, como se todo download fosse uma venda perdida.

E pra quem joga no Brasil?

A lista é uma ferramenta comercial dos EUA e não muda nada diretamente por aqui. Mas esses aparelhos circulam sobretudo por lojas e marketplaces internacionais, e qualquer aperto sobre vendedores e anúncios tende a respingar em quem compra lá fora. Na prática, o recado é simples: o portátil de emulação continua sendo um aparelho legítimo, e o problema apontado é o pacote que já vem com centenas de jogos sem licença. E comprar jogo original por aqui está menos difícil do que há dez anos: a Nintendo, que saiu do país em 2015, voltou e diz que dois de cada três jogos seus já saem em português.

Fontes:

Compartilhar

Não perde vídeo novo

Inscreva-se no canal Mic Bugado e acompanhe as notícias antes de todo mundo.

Inscreva-se no canal →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima