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Total War: Shogun 2 – Complete Edition sai de venda dois dias após o lançamento, e a Sega devolve o original à Steam

A Sega tirou de venda Total War: Shogun 2 – Complete Edition, lançado na terça (13), depois de avaliações negativas e acusações de arte ampliada por IA. Veja o que deu errado, o que muda pra quem comprou e o preço do original.

Total War: Shogun 2 – Complete Edition sai de venda dois dias após o lançamento, e a Sega devolve o original à Steam Divulgação / Sega / Creative Assembly

Durou dois dias. A Sega anunciou nesta quinta-feira (15) que vai tirar de venda Total War: Shogun 2 – Complete Edition, a versão atualizada do clássico de estratégia de 2011 que chegou ao PC na terça (13), e colocar o jogo original de volta nas lojas. No comunicado, a empresa admitiu que o relançamento ficou abaixo do que os jogadores esperavam e também do padrão da própria Sega. A essa altura, a página da Steam somava cerca de 2 mil avaliações de usuários, só 17% delas positivas, segundo o Kotaku.

O que a nova edição prometia

No papel, a proposta era boa. A Complete Edition, desenvolvida pela Creative Assembly com o estúdio parceiro MATABOO, reunia o jogo e todas as expansões, entre elas Rise of the Samurai e Fall of the Samurai, e listava estas mudanças na Steam:

  • texturas, iluminação e sombras refeitas
  • interface ajustada pra resoluções 1440p e 4K
  • controles modernizados
  • mais de 50 facções secundárias novas jogáveis
  • versão de 64 bits
  • mods pelo Mod.io, no lugar da Oficina da Steam

O preço cheio era de US$ 39,99, bem acima do que o original custava, e quem já tinha o jogo de 2011 ganhava 75% de desconto por tempo limitado. O problema é que, junto com o lançamento, a Sega tirou o Shogun 2 de 2011 de venda, e a edição nova virou a única forma de comprar o jogo.

Por que a reação foi tão ruim

As queixas se acumularam em várias frentes. Jogadores relataram desempenho fraco até em PCs de topo, com relatos de 30 a 40 quadros por segundo em 4K numa GeForce RTX 5090, reunidos pelo site VideoCardz. Bugs antigos do jogo de 2011, como problemas de rota das tropas em cercos a castelos, continuaram lá, e outros apareceram, ao lado de excesso de brilho e falhas de iluminação. Quem jogava com mods também perdeu: os mods do original não funcionam na versão nova, e as ferramentas oficiais de modificação não estavam disponíveis no lançamento.

A acusação que mais pegou foi outra. Comparando as ilustrações da enciclopédia do jogo, o Kotaku encontrou imagens ampliadas com deformações típicas de ferramentas de inteligência artificial: brasões de bandeiras viraram manchas, um soldado apareceu encaixado entre duas tábuas de madeira, e o rosto de um guerreiro se fundiu ao capacete. Pelas regras da Valve, uso de IA generativa precisa ser declarado na página do jogo, e a Complete Edition não trazia esse aviso. Nas reportagens consultadas, nem a Sega nem a Creative Assembly tinham respondido sobre o uso de IA.

O contraste com a imprensa chamou atenção. Quando a polêmica estourou, a edição tinha só quatro análises no Metacritic, com média 86, enquanto o público castigava o relançamento na Steam. É um caso clássico de crítica e público olhando pra coisas diferentes.

O que muda pra quem comprou

  • Quem comprou a Complete Edition continua com ela. A Sega diz que trabalha com a desenvolvedora pra achar as causas dos problemas e lançar melhorias, sem prazo definido.
  • O original volta às lojas. Na noite desta quinta, a Steam brasileira já vendia o Shogun 2 de 2011 por R$ 74,99, e a edição nova não aparecia mais na busca da loja.
  • Reembolso: segundo o VideoCardz, a Creative Assembly negocia com as lojas um prazo maior de reembolso, inclusive pra quem já passou dos limites normais. Na Steam, a regra padrão aceita pedidos em até 14 dias da compra e com menos de duas horas de jogo.

Ainda não está claro como quem comprou a versão nova vai poder voltar a jogar a antiga, ponto que o PC Gamer também apontou como indefinido.

Um tropeço que respinga no futuro da série

Shogun 2 é um dos jogos mais queridos da franquia Total War, e um relançamento pra rodar bem em PCs atuais parecia aposta segura. O tombo vem num momento em que a Creative Assembly vinha recuperando a confiança dos fãs, com uma expansão elogiada de Total War: Warhammer e o anúncio de Total War: Warhammer 40,000. Chega também numa semana em que o uso de IA virou assunto em toda a indústria, como mostrou o caso do launcher da Epic feito com ajuda de IA.

A Sega fez o certo ao recuar rápido, mas o erro maior foi anterior: apagar das lojas uma versão que funcionava e tinha avaliações ótimas pra empurrar uma substituta mais cara. Se a Complete Edition tivesse saído como upgrade opcional, a reação provavelmente seria bem menor. Quem tem o jogo antigo na biblioteca não precisa fazer nada; quem pensava em comprar tem de novo a opção original, mais barata.

Fontes:

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