The Witcher passa de 90 milhões e Cyberpunk chega a 40 milhões: a virada da CD Projekt em números
A CD Projekt revelou que a série The Witcher passou de 90 milhões de cópias e Cyberpunk 2077 de 40 milhões. Veja o balanço do semestre e o plano de um grande Witcher por ano até 2028.
Divulgação / CD Projekt RED
O balanço do primeiro semestre de 2026 da CD Projekt trouxe dois números redondos. A série The Witcher passou de 90 milhões de cópias vendidas, com The Witcher 3 sozinho acima de 65 milhões. E Cyberpunk 2077 cruzou a marca de 40 milhões, quase seis anos depois do lançamento.
O segundo número é o mais interessante, porque ninguém apostaria nele em dezembro de 2020.
Do fundo do poço aos 40 milhões
O lançamento de Cyberpunk 2077 virou referência de desastre na indústria. As versões de PS4 e Xbox One chegaram com desempenho muito ruim, a Sony chegou a retirar o jogo da PlayStation Store e ofereceu reembolso. Em poucos dias, a empresa que era sinônimo de qualidade depois de The Witcher 3 virou piada.
A CD Projekt escolheu consertar em vez de abandonar. Vieram anos de atualizações, uma reformulação profunda de sistemas e a expansão Phantom Liberty, que já vendeu 15 milhões de cópias em menos de três anos, somando as vendas avulsas e as da Ultimate Edition. A série de anime Cyberpunk: Edgerunners, lançada na Netflix, ajudou a trazer jogador novo pra Night City.
A empresa descreve o resultado como “gestão deliberada do ciclo de vida”: levar o jogo pra plataformas novas e continuar atualizando por anos. É uma lição que a indústria costuma ignorar. Recuperar um lançamento ruim é possível, mas custa tempo, dinheiro e reputação que um adiamento teria economizado.
O semestre em números
| Indicador | 1º semestre de 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Receita | 435 milhões de zlotys | 23% acima do mesmo período de 2025 |
| Lucro líquido | 249 milhões de zlotys | 37% acima |
| Margem líquida | 57% | — |
O diretor financeiro, Piotr Nielubowicz, atribuiu o resultado às vendas de Witcher e Cyberpunk e a uma fatia crescente vinda do licenciamento das marcas.
Um Witcher grande por ano até 2028
O plano anunciado pra série é agressivo. A CD Projekt quer lançar um projeto grande de The Witcher por ano até o quarto jogo:
- 2026: The Witcher 3: Wild Hunt Remastered, em 29 de setembro, gratuito pra quem já tem o jogo e pela primeira vez com versão nativa no Nintendo Switch 2.
- 2027: Songs of the Past, terceira expansão de The Witcher 3, feita em parceria com o estúdio Fool’s Theory. Onze anos depois da última aventura, Geralt pega a estrada mais uma vez antes de passar o papel principal pra Ciri.
- 2028: janela planejada de The Witcher 4, com Ciri no papel principal.
Por causa de uma parceria com a Blizzard, o Remastered e Songs of the Past também vão sair na Battle.net. Detalhamos o que muda no relançamento em The Witcher 3 Remastered chega dia 29.
Cyberpunk virou marca, não só jogo
Do lado de Night City, a estratégia é espalhar a franquia pra fora dos games. Em 2026, o universo apareceu em crossovers com Wuthering Waves e Apex Legends. O jogo de cartas colecionáveis de Cyberpunk se tornou o projeto de games com maior arrecadação da história do Kickstarter. E Cyberpunk: Edgerunners 2, de novo com o estúdio japonês TRIGGER, estreia na Netflix em 20 de outubro.
De sobrevivente a empresa com calendário cheio
Seis anos atrás, a pergunta era se a CD Projekt sobreviveria ao próprio lançamento. Hoje, a pergunta é se ela consegue manter a qualidade entregando um projeto grande de Witcher por ano. O calendário é ambicioso e dependente de parceiros externos, como a Fool’s Theory. A empresa já provou que sabe recuperar um tropeço. O desafio agora é não precisar provar isso de novo.

